
Capítulo a parte, a edição de Manga-espada está
encantadora, trata de um contato com um emergente desejo de compartilhar do
sagrado cultural. Como um sorriso cheio de fiapos de manga por entre os dentes,
uma produção cultural latente que fica entranhado em nós. A revista pulsa,
consegue ter vida, pois é um ato contínuo de um fazer cultural. Ela seduz logo
nas primeiras páginas na sessão Maniva "A raiz de um sonho", um texto
que demonstra o quanto é prazeroso ler, a poetisa Iara Maria adiciona ao
oficioso do comunicativo o doce da poesia. Mas, nada disso seria possível se as
palavras não fossem perenes de vivência e paixão pelo que faz. Na sessão
“Conversê”, abarcado sob a copa frondosa de um pé de mangueira, se destilam os
perfumes de um sentir plural. O poeta e escritor Aldenir Dantas consegue, de
forma clara e incisiva, fazer uma síntese das lutas travadas, das trincheiras
levantadas ao longo dos anos no movimento cultural local e nos fala do que
gostaríamos de dizer. Assim, vamos consumindo a manga, separando as sementes
das letras e sons nas Bolandeiras, enchendo nossos Silos de esperança até
chegar ao caroço, a semente.
Para encerrar esse
dia, as 20h no Espaço Avoante de Cultura, tivemos a grata satisfação de ouvir o
colorido abismal do som da banda Rosa de Pedra de Natal/RN. O grupo toma nossas
matrizes musicais nordestinas, evidenciam a batida, acentuando a vibração,
própria de nossa cultura. É inegável a riqueza da nossa cultura popular,
manancial que permite uma abertura criativa, de combinações e conexões de
elementos que nos leva ao inusitado e surpreendente. Com acento das
cantigas populares do coco, ciranda, embolado pela rabeca, baixo, guitarra e
percussão, compõem o espectro da roseta musical do cenário contemporâneo da
música potiguar, uma rosa de pedra a mais no nosso rosário musical.
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